E aconteceu que Mario foi a um restaurante e pediu: bolo de chuchu verde sem sal. E, adivinhem? Não gostou nenhum pouco da iguaria. No dia seguinte, voltou ao mesmo restaurante e comeu novamente: bolo de chuchu verde sem sal; e no dia seguinte e assim sucessivamente…

Só porque ele escolheu uma vez bolo de chuchu verde, que aliás lhe pareceu um purgante, precisa ele ser fiel à sua escolha e continuar a comer esse prato medonho ad infinitum? Ou é ele livre para escolher novamente? Talvez bolo de chuchu não tão verde com sal, ou quem sabe de alho-poró com especiarias?

Ás vezes escolhemos por impulso, curiosidade, por motivo de estudo, falta de informação, medo, aparente falta de opção, comodidade, conformismo, rebeldia… Escolhemos por um milhão de motivos diferentes; lúcidos e não tão lúcidos; saudáveis e não tão saudáveis. Mas, e se não gostarmos da escolha, precisamos ser leais a ela e continuar escolhendo algo que não traz satisfação, que não serve, que não tem serventia saudável? A não ser que a serventia desse algo seja nos atormentar e tornar nossa vida horrível.

Será que Marcos continuou a comer esse bolo insulso por achar que não tinha o direito de escolher novamente, porque esqueceu de que pode escolher ou de que existem inúmeros outros bolos, talvez muito mais gostosos? Ou será que ele transformou esse bolo num ídolo, que lhe atribuiu um poder que esse bolo não tem? Esse bolo deve ser excelente e imprescindível para sua saúde, longevidade e vigor. Esse bolo tem propriedades afrodisíacas ou rejuvenescedoras. Se ele não comer esse bolo, vai ficar doente. Ou ele acha que o bolo é parte dele, parte de seu ser e identidade: se ele não comer esse bolo vai lhe faltar um pedaço; vai ser destruído, vai morrer, deixar de existir.

Ele poderia achar que estava fazendo uma barganha: o bolo é ruim, mas os benefícios valem a pena. Ou talvez haja uma lei: que uma vez feita uma escolha, ela deve ser “para sempre”, assim como se diz nos casamentos tradicionais: na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença, na felicidade e no martírio, na sanidade e na insanidade, etc.

Você segura algo ou se segura a isso, pois esse algo parece oferecer algum tipo de ganho, preservação ou obedecer a uma lei ditatorial ou de sobrevivência. Você teria dotado esse algo “fora” com um atributo que é da sua essência.

Não deveriam as escolhas nos servir: serem de serventia, serem úteis para os propósitos que desejamos? Não deveriam as escolhas servir para tornar nossa vida e a vida em geral mais saudável, útil e divertida? E quando uma escolha não serve mais, ou nunca serviu, não deveríamos escolher novamente? A menos que por trás dessas escolhas existam outras escolhas do tipo: provar que a vida é ou tem que ser difícil e perigosa, nos atormentar ou atormentar aos outros, sofrer – talvez como forma de mitigar a culpa, o medo ou a crença em divindades de terror; ou por se estar viciado em uma condição da qual nos achamos dependentes.

Tendemos a tentar preservar aquilo que chamamos de eu – por mais miserável que essa coisa/persona se encontre, e por mais que essa coisa machuque. Mas precisa ser assim? Podemos mudar e expandir o nosso senso de eu, a nossa escolha daquilo que chamaremos de “eu” ? Ou haverá um Eu mais íntegro e feliz, acima de qualquer “escolha”?

YVONE ELIZABETH SVELGA – Facilitadora Certificada Miracle Choice

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