Começo esse texto com a pergunta: “Você conta histórias bem?”

Eu sempre tive essa habilidade de contar histórias e “entreter” aqueles que estão escutando: crianças, adultos… Sou daquelas que cria voz para personagem, faz caras e bocas, cria um clima de enigma, faz suspense. Acho que você conhece alguém assim (ou talvez tenha essa habilidade também).

Depois de assistir ao show de comédia “Nanette”, da Hannah Gadsby (disponível na Netflix – I-M-P-E-R-D-Í-V-E-L!), comecei a perceber que essa minha habilidade estava sendo usada de uma forma não muito inteligente: para contar a minha própria história e ainda focando nas partes cheias de drama e dor. Era assim que contava sobre a minha infância e adolescência. Era assim que eu retratava quem eu era ou quem eu fui.

E, nisso de contar tantas vezes a história repleta de dramas, absorvi que essa era a minha identidade, e que minha história era feita disso.

Em uma conversa com a minha mãe, ficou claro para mim que eu estava esquecendo de todo o restante da minha história: tantas conexões, amizades, afeto, amor e alegria. Eu estava escondendo de mim mesma tudo aquilo que ficou fortalecido a partir de cada vivência, de cada fato, de cada experiência, como se fosse o menos importante. E, acredite, essas são as partes mais gostosas das histórias.

Relembrar as cartinhas de amor que eu escrevia para as pessoas, os sorrisos que eu compartilhei, o contato que eu tive com a terra e com os animais, as brincadeiras, a barriga doendo de tanto rir, o olhar amoroso que ampara, os carinhos, as risadas, a inocência no olhar, a capacidade de acreditar nos chamados do coração… Nossa, a lista não teria fim.

Então, eu gostaria de perguntar-lhe outra coisa: “Como você tem contado a sua história? Quais são as histórias da sua vida que você tem contato tanto, que talvez tenha acreditado que sejam as mais importantes?”

Se você perceber que tem dado atenção a partes carregadas de drama e de trauma, basta saber que pode ter alguma coisa (ou muitas coisas) que você acabou esquecendo de contar. Basta saber que outras histórias suas estão loucas para serem relembradas, recontadas e revividas na memória e no coração. E você pode começar a trazê-las à tona, como quem não quer nada. Só pela experiência mesmo.

E eu finalizo aqui compartilhando uma reflexão minha, depois de olhar para as histórias que eu vinha contando sobre mim e a forma como considerei essas histórias a minha identidade: aquilo que se fortalece em mim em T-O-D-A-S as experiências é o que é verdadeiro. A dor e o drama só permanecem enquanto eu não percebo o que está sendo fortalecido, enquanto eu esqueço da minha essência. E eu sempre posso voltar para esse lugar de força, de amor. S-E-M-P-R-E! Basta lembrar.

Carol Martorelli – Facilitadora do jogo Miracle Choice e terapeuta holística

VÍDEO: O Poder das Histórias

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