Os Bodes Expiatórios
por Juliana Kurokawa


Hoje eu queria falar a respeito das situações que muitos de nós vivemos e eu vivi recentemente, que é quando nos decepcionamos com a atitude de alguma pessoa. Quando isso acontece, nossa primeira reação é buscar justificativa para a raiva que sentimos. É quase como se quiséssemos juntar as “provas do crime”. Em nossa mente, começamos a reviver a situação e tudo indica que os sentimentos de raiva e mágoa são totalmente justificados. Nos sentimos injustiçados e gastamos muita energia coletando as testemunhas que atestem nossa opinião sobre o assunto.

Além disso, é muito comum contarmos a nossa versão do ocorrido para as pessoas mais próximas. E isso gera um movimento em cadeia. Cada pessoa que ouve nossa história se junta a nós em nossa “causa”. E o que muitas vezes começou como um simples mal-entendido, que poderia ser facilmente resolvido se nos dispuséssemos a conversar abertamente com a pessoa em questão, torna-se uma verdadeira teoria da conspiração, com juiz, jurados e testemunhas.No entanto, considerando que tudo o que nos acontece pode ser usado para o nosso aprendizado constante, como podemos usar situações como essa para crescermos?

Em primeiro lugar, é importante que entendamos que qualquer sentimento que venha à tona, principalmente aqueles que consideramos negativos, é apenas um indicador de que não estamos escolhendo pensamentos felizes. Então, em cada situação vivida, devemos fazer o único julgamento do qual somos capazes: como estou me sentindo agora? E, se sei que sou o único responsável pela maneira como me sinto, fica claro que ninguém tem o poder de implantar em minha mente algo que já não esteja lá. As circunstâncias podem servir como gatilhos que despertam certos aspectos de nossa personalidade que talvez desconhecíamos até então, mas nunca são causais.

O problema é que temos muito medo de olhar com sinceridade para os pensamentos que nutrimos. É por isso que tentamos, de qualquer forma, encontrar algo lá fora que justifique todo o sentimento que julgamos como negativo percebido dentro de nós. Mas como podemos transmutar qualquer sentimento se nem ao menos sabemos que ele está lá? Por que é tão importante o autoconhecimento? Ao invés de buscarmos um culpado pela maneira como nos sentimos, por que não nos concentramos em entender, sentir e acolher o nosso estado atual?

Fiquei surpresa ao perceber o quão disposta eu estava em encontrar um objeto adequado para a minha raiva. Isso me mostrou que eu estava com medo de reconhecer que a raiva já estava dentro de mim. Nada nem ninguém externo jamais poderia ter causado aquilo. Era a minha própria escolha!

Isso também se aplica, por exemplo, ao momento político que estamos vivendo ou casos que consideramos injustos no mundo. Devemos estar atentos aos sentimentos que emergem e aos pensamentos que podemos flagrar todas as vezes em que entramos em contato com essas histórias de abuso.

O problema nunca é sentir a raiva, mas sim a nossa falta de consciência em perceber que estamos o tempo todo olhando para fora. Tudo é motivo para nos desconectarmos e esquecermos de nosso Ser real. E, nesse sentido, quantas coisas temos buscado para encobrir a maneira como nos sentimos? Pode ser o time de futebol que perdeu, o governo corrupto, o gorila que foi assassinado, qualquer coisa serve como desculpa para desviarmos o nosso olhar para fora e este deveria estar voltado para dentro! Estamos dispostos a perceber a nossa prontidão para nos conectarmos com a raiva? O problema não é sentir raiva e sim o que fazemos com ela.

Quando tentamos justificar a maneira como nos sentimos através das atitudes de outras pessoas, estamos ensinando e aprendendo que somos vulneráveis e que a responsabilidade por nossa felicidade é do mundo e não nossa. E será que o mundo quer que sejamos felizes? Por isso, todas as vezes em que escolhemos culpar uma outra pessoa, estamos, na realidade, atacando nossa Identidade real, dizendo para nós mesmos que somos vítimas e não tomadores de decisão.

Então, nesse sentido, se realmente nos importamos com as coisas que acontecem no mundo e queremos ensinar que as pessoas podem ser mais felizes, que tal começarmos conosco? Não há maneira mais amorosa de fazer isso além de ensinar que nosso Ser real não poderia jamais ser modificado por qualquer coisa que acontece do lado de fora e isso só é possível se aceitarmos e vivermos essa Verdade em nossas próprias vidas.

JULIANA KUROKAWA – Facilitadora Certificada Miracle Choice.

Últimas Notícias
Acompanhe o Miracle Choice. Confira as principais informações.


Terminou no dia 05/06 a fase presencial do treinamento para facilitadores no Reino Unido. A partilha foi muito rica e profunda.
Agradecemos imensamente a entrega e confiança de todos os participantes.
Em breve mais facilitadores espalhados no mundo!


 

Depoimentos
Conforme anunciamos em um informativo anterior, ficamos encantados com as experiências de cada pessoa que jogou o Miracle Choice. Se você se sentir inspirado, conte-nos a sua experiência enviando-nos um e-mail para: contato@miraclechoice.com.br

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *