Esses dias peguei meu filho adolescente na escola e, ao entrar no carro, ele deu uma suspirada profunda. Perguntei se estava tudo bem e ele disse que sim. Ao insistir e perguntar novamente, eis a sua resposta: “sabe, nem tudo tem um significado. Eu simplesmente suspirei. Só isso.”

Aquela frase me fez pensar e me trouxe várias reflexões.

Quantas vezes interpretamos o comportamento do outro por imaginar o que ele está pensando? Quantas vezes sofremos por antecipação já prevendo uma catástrofe que ainda nem aconteceu e provavelmente nem aconteça?

Você já percebeu como é difícil estar presente com aquilo que se apresenta e como facilmente nos perdemos em nossos pensamentos e acreditamos que a nossa interpretação da realidade é a realidade?

Meu filho estava me ensinando uma lição muito profunda. Naquela situação específica, em questão de minutos, eu já tinha imaginado mil coisas: imaginei que ele estava cansado, que tinha tido um dia difícil na escola, que tinha ido mal na prova, que estava sem paciência. E, na verdade, nada tinha acontecido, foi apenas um suspiro. Todo o resto eu tinha inventado em minha mente.

Aquele momento bem simples e cotidiano foi importante para que eu levasse o aprendizado para as outras situações da minha vida. Em que outros momentos eu estava, não só dando um significado para as coisas, mas também me relacionando com o significado inventado, que não tem realidade a não ser em minha mente?

Saber dessa nossa capacidade criativa e de como nos perdemos nos pensamentos é importante para que consigamos voltar ao momento presente e possamos nos relacionar com os fatos e não com as nossas interpretações dos fatos.

Tenho certeza que você já relacionou esse texto a diversos momentos em sua vida onde você também faz isso. Que tal estarmos mais atentos? Podemos usar o poder criativo de nossa mente para nos abrirmos à possibilidade de que talvez não saibamos o significado de tudo e, assim, a vida pode nos surpreender com a realidade, que pode ser muito diferente de nossa imaginação.

Para finalizar, compartilho um trecho de Um Curso de Amor que vai bastante de encontro com essa nossa conversa:

Dás todo significado a tudo e, assim, povoas teu mundo com anjos e demônios, cuja condição é determinada em função dos que te ajudariam e dos que te entravariam. Assim, determinas quem são teus amigos e teus inimigos, e tens amigos que se tornam inimigos e inimigos que se tornam amigos. (…) Em todos os cenários, continuas sendo o artífice de teu mundo, ao atribuir-lhe suas causas e seus efeitos. Se isso fosse possível, como poderia o mundo ser qualquer coisa exceto simbólico, com o significado de cada símbolo escolhido por ti e para ti. Nada é o que é, mas apenas o que é para ti. (T-3.7)

Juliana Kurokawa – Treinadora e Facilitadora Miracle Choice

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