Nunca vou me esquecer da analogia usada pela minha professora de coaching, Brooke Castillo, para ilustrar quando acreditamos estar ajudando alguém, mas, na verdade, estamos é atrapalhando. A imagem funcionou tão bem para mim, que sempre trago o mesmo exemplo nas minhas sessões de coaching e nos treinamentos para facilitadores do jogo.

Ela usa o conceito da piscina. Você, como coach, terapeuta ou facilitador está do lado de fora da piscina. A piscina representa um lamaçal de problemas e seu cliente está preso lá dentro. O que muitas vezes acontece é que, principalmente como amigos, pulamos na piscina para ajudar a pessoa a sair e acabamos nos identificando e nos envolvendo com o seu drama: “Coitado de você! É terrível o que lhe fizeram!”. Mas, se realmente queremos ajudar, temos que ficar fora da piscina. Assim, podemos ter empatia com a dor do outro ao invés de simpatia. Nós entendemos o que ele está passando e sentindo, mas não acreditamos na sua história. Nós ficamos do lado de fora, ouvindo e oferecendo a oportunidade de cura, oferecendo uma mão para tirá-lo da confusão.

Por exemplo, uma pessoa compartilha com você: “Estou sofrendo no meu relacionamento, meu marido é muito temperamental!” e você concorda com ela dizendo: “Nossa, você deve estar sofrendo mesmo, é difícil lidar com um marido temperamental!”. Nesse momento, você está na piscina, concordando com interpretação da pessoa de que seu marido é temperamental e de que essa é a causa do seu sofrimento. Nesse estado, é muito difícil conseguir ajudar a outra pessoa, pois você está fortalecendo a sua crença de que ela é uma vítima do mundo e que, enquanto a situação fora dela não mudar, ela continuará sofrendo.

Esse tipo de interação pode gerar um falso senso de intimidade e conexão. Parece que, tendo pena ou alimentando uma visão equivocada de que não temos escolha de como pensar ou nos sentir, estamos mais próximos da pessoa, dando colo e confortando-a com uma mentira. Isso não ajudará a pessoa a se empoderar e trazer uma melhora verdadeira e duradoura para a sua vida.

Mas, eu sei. Às vezes, não é fácil ficar do lado de fora da piscina. Você tem uma ligação forte com a pessoa, ou passou ou está passando por algo semelhante e se identifica com a história dela. Nesse caso, lembre-se de que ter pena ou concordar com seus julgamentos negativos pode até parecer mais reconfortante, amigável, amoroso, mas, na verdade, você está é entrando no lamaçal com ela.

No meu caso, além desse valioso aprendizado que recebi da Brooke, tenho sempre comigo o jogo de bolso como um companheiro imparcial, amoroso e verdadeiramente empático. Mesmo que eu dê uma escorregada, sei que ele nunca cai na lama e vai me ajudar a ficar fora dela!

CÁTIA VASCONCELOS – Co-idealizadora e master trainer Miracle Choice

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