Fale a verdade: o mês de janeiro acabou e você ainda não começou a realizar muitas das coisas que prometeu realizar neste novo ano, não é mesmo? Talvez com a desculpa de que este ano parece estar andando mais ligeiro do que o ano passado, talvez por ter feito muitos planos, talvez por falta de energia, imprevistos, etc. Não importando o motivo, é sempre bom encarar os fatos: você está deixando de fazer algumas coisas que considera importantes.

Quantos sonhos e planos você tem deixado para depois? E todas as obrigações e prazos que você precisa cumprir? Você sempre deixa tudo para a última hora? E fica estressado depois por ter pouco tempo para realizar todas as suas tarefas?

Esses dias li um artigo do New York Times sobre procrastinação e achei muito interessante.

A autora afirma que a procrastinação é uma questão emocional e não de produtividade. Ao contrário do que pode parecer, procrastinamos não por preguiça ou por falta de energia, mas sim porque escolhemos evitar entrar em contato com a sensação de desconforto gerada pela atividade que temos adiado.

Isso nos mostra muito de nossa atitude perante à vida e justamente aquela que nos traz mais sofrimento: tentamos a todo custo evitar a dor e sentir prazer. Nesse caso, buscamos o prazer imediato de não termos que realizar a atividade em questão e evitamos a dor de experimentar o sentimento que se manifesta todas as vezes em que imaginamos ter que cumprir tal tarefa.

Outra questão que pode estar em jogo ao procrastinarmos, é o fato de não acreditarmos em nosso próprio potencial. Nos é tão doloroso entrar em contato com o nosso autojulgamento, nossa autocrítica e com a crença de que não somos capazes de realizar aquilo a que nos propomos, que tentamos postergar o encontro com essas emoções.

A recomendação da autora é para que assumamos uma postura curiosa com relação à nossa tendência a procrastinar. Toda vez que percebemos a vontade de procrastinar surgir, podemos trazer a nossa atenção consciente às sensações que surgem. De que maneira elas se manifestam em nosso corpo? O que acontece com os pensamentos de procrastinação enquanto os observamos? Eles diminuem? Aumentam?

O mais legal de fazer esse exercício é termos a possibilidade de descobrir que as sensações que estávamos evitando não são fatais. Isso mesmo. Conscientes de nossos pensamentos e sentimentos, podemos abrir espaço para que eles se manifestem e, cada vez mais, vivermos o momento presente.

Não sei você, mas estou extremamente curiosa e animada para convidar minha vontade de procrastinar para sentar e tomar um chá comigo. Quem sabe ela me conta algo sobre mim mesma que ainda não sei?

Juliana Kurokawa
Treinadora e Facilitadora do Jogo Miracle Choice

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