Você foi afetado pelo coronavírus de uma maneira ou de outra. Mesmo que você não esteja acompanhando as notícias, não tenha um negócio diretamente afetado ou um voo que foi cancelado, provavelmente já viu prateleiras vazias em supermercados e pessoas usando máscaras. Talvez você não consiga evitar olhar para as manchetes do seu celular ou evitar o tópico do coronavírus nas conversas. Essa é a visão que vem do centro de quem você é.

Você foi treinado para olhar para fora desde muito novo. Olhar para o mundo e ignorar aquele que olha.

A situação do coronavírus nos dá a oportunidade de lembrar o quanto é importante também olhar em outra direção – para dentro. Quando olha para o seu centro, o que você vê? Tome um momento para olhar agora. Mude a direção do seu foco, de fora para dentro. A escolha milagrosa que costumamos ensinar é perguntar: que escolha eu faço quando penso – ou reajo – nas notícias sobre o coronavírus? ”

O medo resulta de olhar apenas em uma direção.

Talvez o medo não desapareça quando você olha para dentro, mas algo muda quando você sente medo e, ao mesmo tempo, lembra que o amor é o seu centro. Seu centro silencioso tem compaixão pelo mundo e aceitação por tudo o que está acontecendo. Eu não acho que todo medo e toda ansiedade desaparecem ao olhar em duas direções, mas você vê que, no seu centro, não há medo, tensão ou vírus. O medo está associado às coisas do mundo. A Presença que permite todos os sentimentos e abre espaço para eles não é afetada pelo medo. Essa Presença está consciente e aceita toda a vida, incluindo a vida do coronavírus.

Quando você sente que está sobrecarregado de ansiedade e se sente incapaz de abraçar o mundo em silêncio, sabe que está olhando apenas em uma direção. Encontrar soluções para os problemas, cuidar de seus entes queridos e de você mesmo, é muito mais fácil e eficaz quando se olha nas duas direções. Experimente e veja.

Para finalizar, deixo abaixo esse simples e profundo conto da tradição sufi sobre medo:

“Nasrudin e a Peste”

Estava a Peste a caminho de Bagdá quando encontrou Nasrudin.
Este perguntou-lhe:
– Aonde vai?
A Peste respondeu-lhe:
– Bagdá, matar dez mil pessoas.
Depois de um tempo, a Peste voltou a encontrar-se com Nasrudin. Muito zangado, o mulá disse-lhe:
– Mentiste-me. Disseste que matarias dez mil pessoas e mataste cem mil.
E a Peste respondeu-lhe:
– Eu não menti, matei dez mil.
O resto morreu de medo.

Milagres sempre,

James Kelly
Jogo Miracle

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