Talvez já faça tanto tempo que você começou a trilhar esse caminho, que nem se lembra de como era viver sem o conhecimento ou a consciência dos pensamentos que habitam em sua mente.

Uma vez que nos tornamos conscientes dos pensamentos que acolhemos, não conseguimos simplesmente “desligar” esse conhecimento e fingir que eles não têm influência sobre o que sentimos e experimentamos.

O autoconhecimento é um caminho que, quando iniciado, não tem volta. Não tem como “des-saber” alguma coisa, não há como ignorar a existência de nossa mente e de nossa prerrogativa constante de escolha.

Mesmo que não consigamos fazer da paz uma prioridade, sabemos que tudo o que sentimos se deve às escolhas que fizemos. Ou seja, as circunstâncias, pessoas e fatos não têm o poder de influenciar o que sentimos. Nossos pensamentos regem a maneira como experimentamos o mundo e as pessoas.

Voltando das férias, me deparei com uma situação em que notei que eu estava muito irritada. Tratava-se de uma pessoa de quem gosto muito, mas que, naquele momento, estava despertando uma espécie de irritação em mim. E, enquanto a situação se desenrolava, eu pensava: “Isso não tem nada a ver com a pessoa à minha frente. A decisão é minha. Por que isso está me irritando tanto? Por que eu não consigo escolher diferente? O que preciso aprender com essa situação?”.

No final das contas, não consegui sair do turbilhão de pensamentos que a minha mente se tornou e, terminada a situação, fui dormir com a cabeça cheia, de mau humor e frustrada por conhecer tantas ferramentas e ainda não conseguir escolher o amor em uma situação aparentemente simples.

Acordei no meio da noite e tudo aquilo ainda estava martelando em minha mente. Até que cheguei a um ponto em que gritei (em silêncio – risos): “Para o mundo, que quero descer! Vou dar um tempo desse processo de autoconhecimento e, a partir de agora, não quero mais prestar atenção ao meu mundo interno. Quero paz!”.

Demorou um tempo até que eu conseguisse entender que aquela era uma atitude muito pouco amorosa e gentil comigo mesma. Uma vez, ouvi dizer que onde há gentileza, o ego não pode estar e aí entendi que o ego era o diretor daquela minha cena mental. Percebi que não era o processo de autoconhecimento e o exercício de me conscientizar sobre os meus pensamentos que estavam me atormentando e sim o que eu pensava a respeito disso.

Me excedi em minha única responsabilidade, que era a de compreender como eu estava me sentindo e julguei a mim mesma por achar que eu não deveria ou não poderia me sentir daquela maneira. E, então, experimentei um lindo milagre em um momento profundo de autoperdão em que me acolhi e me peguei no colo e entendi que, às vezes, ainda escolhia o medo como naquela situação, mas que estava tudo bem. Era só eu saber que havia a possibilidade de escolher diferente, mesmo que ainda não fosse o caso.

No dia seguinte, me deparei com a mesma pessoa e fui confrontada com a mesma situação, mas, dessa vez, já mais gentil e acolhedora comigo mesma, pude olhar para aquela pessoa e ser verdadeiramente grata por ela me fazer entender uma lição tão profunda. A questão, diferentemente do que eu imaginava, era fazer com que eu conseguisse aceitar a mim mesma, com todas as minhas limitações. E, então, desse espaço amoroso e gentil, consegui acolher a pessoa com toda a minha atenção e presença e entender que ela pedia amor não só para ela mesma, mas para mim também.

Juliana Kurokawa – Facilitadora Certificada Miracle Choice

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