Meu filho Yuri acaba de comemorar um ano desde que se revelou. Eu tive um choque naquela época. Não tanto com o fato de ele ser gay, mas, até aquele momento, eu não tinha percebido que meu amor por ele era condicional. Eu o imaginei em uma família nuclear própria que poderia ter gerado netos e na conexão que acompanha essa expectativa.
Fiquei chocado porque descobri que meu amor por ele era condicional.
Que tipo de amor era aquele?
Levei três dias para me perdoar e, então, pude amar meu filho sem condições porque me aceitei e me lembrei do amor verdadeiro.

Hoje à tarde levei o Yuri para colocar seu segundo brinco (ele tem apenas 14 anos, então precisa da companhia do pai ou da mãe para fazê-lo). Eu na verdade não tinha concordado com o seu primeiro brinco. Sua mãe e madrinha tomaram essa decisão quando eu não estava presente. Logo em seguida, acostumei-me com o seu brinco e até disse que eu achava que combinava com ele.
Então, há alguns meses, ele pediu para colocar um segundo e até um terceiro brinco.
Eu imediatamente disse que não.

Eu tinha medo de que dois ou três brincos poderiam prejudicá-lo em certas situações. Ele me garantiu que não gostaria de trabalhar ou sair com alguém que tivesse esse tipo de preconceito. Eu disse “não”, de certa maneira, porque eu podia. Por uma fração de segundo, foi bom ter algum poder! Então, rapidamente senti que não era bom tentar controlar a situação. Nem mesmo controlá-lo por causa da minha preferência pessoal, porque eu imaginei que não gostaria de vê-lo usando dois brincos.
Mais uma vez, tive que perdoar a mim mesmo para poder responder de maneira amorosa. Eu fiz algumas perguntas para mim mesmo:

A minha preferência pessoal é um motivo suficientemente bom para fundamentar uma decisão?
Estou disposto a abandonar qualquer pensamento de medo sobre como meu filho seria tratado se usasse dois ou três brincos?
Eu tomaria alguma decisão só porque estava preocupado sobre como outras pessoas poderiam reagir no futuro?
Quero ser tão limitado?

Agora, aprecio o fato de que nós não apenas recebemos oportunidades de aprendizado em nossas vidas, mas sempre recebemos um presente ao mesmo tempo. Qualquer relacionamento pode ser um presente de amor. Um Curso em Milagres diz que nosso irmão e irmã é nosso salvador. Um salvador é um presente para você, não importando como você o julgue à primeira vista!

Nossos pensamentos se baseiam em quê?
Na identidade de um eu pessoal individual.
Quando olho para o meu filho, geralmente penso nele como sendo um eu individual, separado de mim, e tenho um relacionamento com ele.
As situações podem começar de maneira confusa e com dúvidas, mas todas são da mesma fonte: um eu que quer permanecer separado do conhecimento da unidade.

James Kelly – Criador do Jogo Miracle Choice

VÍDEO: Aceitação é o segredo

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