O que você responde quando alguém lhe pergunta quem você é?

Tente agora, em silêncio, responder essa pergunta a você mesmo.

A sensação que tenho quando tento me definir é a de confinamento. Quanto mais adjetivos, definições, rótulos, características, funções e papeis acrescento ao que acredito ser minha personalidade, menor me torno, menor a possibilidade de ser realmente livre.

É difícil falarmos de nós mesmos sem uma referência externa. Por exemplo, quando digo que sou mãe, é necessário que haja um filho. Quando digo que sou terapeuta, é necessário que haja alguém a quem aplico a terapia. Quando digo que sou Juliana, tento resumir todo o meu ser em uma única palavra que seja uma referência para as pessoas.

Pensar nisso causa estranheza. Certamente, sou uma Juliana diferente para cada uma das pessoas que convivem comigo. Cada um cria uma imagem de mim e sinto que, ao mesmo tempo em que sou todas essas imagens, não sou nenhuma delas. Você já percebeu quanto esforço empregamos para tentar fazer com que as pessoas tenham uma determinada imagem de nós?
Quando tento me definir, é como se eu tirasse uma foto do momento presente e quisesse eterniza-la. E, dentro dessa rigidez com relação à definição da minha própria personalidade, me submeto a sustentar os padrões que penso que me definem.

Se trilho o caminho do autoconhecimento e sei que projetar minhas frustrações em alguém não irá curar a minha dor, não permito que algum sentimento que considero negativo emerja. Não me permito sentir raiva, não me permito sentir medo. Tudo isso porque, dentro do papel que escolhi, esses sentimentos não cabem. E, assim, nos tornamos cada vez mais engessados.

Têm-se falado muito ultimamente de repressão e de controle por conta do momento político pelo qual estamos passando. No entanto, fico pensando em como reprimimos a nós mesmos e, por consequência, o quanto reprimimos as pessoas à nossa volta.

Na tentativa de sermos pessoas corretas, não nos permitirmos simplesmente ser.

Acredito que nossa tentativa de criar uma personalidade sólida e permanente tem origem em um medo de que, se não for assim, como podemos ter certeza de nossa existência? Como sei que existo, se não tenho uma forma constante? Se às vezes sou de um jeito e às vezes de outro?

Por trás de tudo que manifestamos na forma há o nosso verdadeiro Ser. E esse não muda. Gosto de pensar que somos o amor manifestado na forma, embora muitas vezes não pareça ser assim. E, quando me lembro que sou amor, posso simplesmente ser, sem me preocupar com nada. Posso me amar suficientemente para aceitar a mim mesma, exatamente assim, do jeitinho que eu sou.

Todo medo acaba quando a prova de tua existência é estabelecida. Todo medo se baseia em tua incapacidade de reconhecer o amor e, portanto, quem tu és e quem Deus é. Como não terias medo com uma dúvida tão poderosa quanto esta? Como poderias não te regozijar, quando a dúvida se vai e o amor ocupa todo o espaço antes ocupado pela dúvida? Nenhuma sombra perdura quando a dúvida desaparece. Nada se interpõe entre a criança de Deus e sua própria Fonte. Nenhuma nuvem permanece para bloquear o sol, e a noite dá lugar ao dia. Um Curso de Amor (C4.5)

Juliana Kurokawa – treinadora e facilitadora do Jogo Miracle Choice

VÍDEO: A beleza de ser

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